O Globo Amelia Gonzalez
Em 2006, os 65 países com maior renda, que somam 16% da população mundial, foram responsáveis por 78% dos gastos em bens e serviços. Somente os americanos, com apenas 5% da população mundial, abocanharam uma fatia de 32% do consumo global. Se todos vivessem como os americanos, o planeta só comportaria uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Atualmente já somos quase 7 bilhões, e projetam-se 9 bilhões para 2050. Esta é uma das conclusões do relatório "Estado do Mundo - 2010", produzido pelo Worldwatch Institute, que acaba de ser lançado pelo Instituto Akatu em São Paulo. Segundo, ainda, o relatório, 83% das residências no mundo têm aparelhos de televisão e 21 em cada cem pessoas têm acesso à internet. O tema do relatório anual este ano é "Transformando Culturas - do Consumismo à Sustentabilidade" e constatou que a humanidade aumentou seu consumo de bens e serviços em 28% na última década. Somente em 2008 foram vendidos no mundo 68 milhões de veículos, 85 milhões de refrigeradores, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones celulares.
A conclusão do relatório, editado há 28 anos e em cerca de 30 idiomas é que sem uma mudança cultural que valorize a sustentabilidade e não o consumismo, não haverá esforços governamentais ou avanços tecnológicos capazes de salvar a humanidade dos riscos ambientais e de mudanças climáticas. No setor da economia e negócios, o documento mostrou que em 2006, as 100 maiores companhias transnacionais empregaram 15,4 milhões de pessoas com um volume de vendas de US$ 7 trilhões, ou seja, 15% do produto mundial bruto. Com todo este poder, as empresas precisam fazer negócios de maneira sustentável mas, segundo o relatório: "Mudar uma organização costuma ser um processo ainda mais longo do que o da mudança pessoal".












