RIO - O Estado do Rio tem hoje pelo menos 98 lixões irregulares em operação e 12 inativos, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a prefeitura do Rio. Apenas na capital, a Secretaria municipal de Meio Ambiente identificou seis lixões clandestinos. E, como mostra reportagem de Luiz Ernesto Magalhães, publicada pelo Globo nesta segunda-feira, há depósitos que operam com a proteção do tráfico, como em Duque de Caxias, que aparece em primeiro lugar no ranking de municípios com mais vazadouros ilegais: são 42, a maior parte no entorno do aterro metropolitano de Jardim Gramacho. O envolvimento com o tráfico foi denunciado pelo ex-ministro do Meio Ambiente e deputado estadual Carlos Minc (PT), em operação realizada há alguns meses, com o apoio de policiais, para fechar alguns lixões. A intervenção da Polícia Federal, da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil e do Bope foi necessária justamente por causa da ação de traficantes nessas áreas - contou o ex-ministro.
Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa (Alerj), André Lazzaroni, o número de lixões no estado pode ser bem maior. Na Região dos Lagos, por exemplo, o antigo lixão usado pela prefeitura de Búzios e considerado fechado pelo Inea ainda recebe entulho de obras, podas de árvore e eventualmente lixo orgânico, como constaram repórteres do GLOBO.
Na capital, a prefeitura corre contra o tempo para combater os aterros irregulares. No caderno de encargos entregue ao Comitê Olímpico Internacional (COI), o Rio se comprometeu a erradicar todos os lixões até os jogos de 2016. Dos seis depósitos, um fica no Recreio, dois na Cidade de Deus e um em Jacarepaguá, numa distância que varia de quatro a 12 quilômetros da futura Vila Olímpica, a ser construída na Avenida Salvador Allende. Os outros depósitos ficam em Gericinó e Acari.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, explicou que as investigações sobre a responsabilidade pelos despejos apontam para empresas que se credenciaram na Comlurb para coletar o lixo de grandes geradores, como hospitais e shoppings. Pela lei, a Comlurb é responsável apenas pela coleta em domicílios. Segundo Muniz, empresas preferem despejar o lixo em aterros clandestinos para não pagar as taxas do Centro de Tratamento de Resíduos de Adrianópolis, em Nova Iguaçu, onde o material deveria ser descartado.
Aterros desativados também preocupam a população. Em Araruama, pelo menos 300 casas no bairro Clube dos Engenheiros se erguem sobre um lixão desativado nos anos 80. Basta cavar alguns metros que os moradores encontram sacos com material em decomposição. No mesmo município, o lixo é despejado a céu aberto, num aterro sem licenciamento ambiental e perto da lagoa.












