Cerca de 67 mil toneladas de lixo são destinadas de forma incorreta diariamente no Brasil.
Lecticia Maggi, iG São Paulo
O catador de material reciclável Luiz Carlos de Araújo, de 44 anos, não pode ver ninguém jogando lixo no lixo que logo explica que aquilo ali pode ser aproveitado para gerar renda a alguém. O salário mínimo que ganha por mês desde que começou a fazer parte da Cooperativa Nova Esperança, em São Miguel Paulista, há cerca de 3 anos, pode parecer pouco para outras pessoas, mas para ele é uma conquista: “venci na vida e a tendência é só melhorar”. Araújo conta que, desde 1995, vive do que os outros descartam. Na rua, porém, lembra que o salário era sempre incerto. “Tem dia que tirava R$ 20, tem dia que não conseguia nada”. Além disso, consumia quase tudo o que ganhava em bebidas alcoólicas. “Não estava nem aí. Hoje, na cooperativa, tenho responsabilidade com o trabalho”, diz. Araujo afirma que a Nova Esperança, que emprega 22 pessoas, mudou a realidade do bairro União de Vila Nova. Por muitos anos, o local, localizado às margens do rio Tietê, ficou esquecido pelo poder público, que não o reconhecia nem como área de Guarulhos, nem de São Paulo. “Era muito lixo jogado nas ruas, nos córregos, procuramos conscientizar a população para ajudar no projeto. A gente não rasga mais saco de lixo dos outros, vai às próprias casas e o material está separado”, afirma. Bom para ele e bom para a comunidade. No entanto, uma realidade ainda verificada em poucos locais do País. De acordo com dados do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), apenas 7% dos municípios brasileiros têm projetos de coleta seletiva em larga escala.
















